segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Goodbye, 2014.

Ia escrever uma lista de muitas coisas sobre esse ano, e a grande maioria delas com absoluta certeza foram coisas boas. Mas de alguma maneira, não me pareceu fazer sentido me despedir das coisas que me fizeram bem. 

Depois de ler item por item, percebi que pouquíssimos foram momentos que eu gostaria de esquecer. Não que tenha sido um ano perfeito, longe disso. Mas quando a gente analisa as coisas pelo que elas realmente são, e a diferença que elas fazem em nossas vidas, fica claro como a gente é egoísta e ingrato.



Então pensei: 'Porque não me despedir de tudo que foi ruim?'

Dizer adeus a todas as vezes que me senti perdido, todas as vezes em que foi um 'não' ao invés de um 'sim.' De todas as mágoas, angústias e incertezas. Dizer adeus a tudo que eu realmente quero que tenha sido pela última vez.


E levar somente o aprendizado. A placa indicando o caminho certo, e a vontade de continuar a contrariar o mundo em busca do 'SIM'. De aprender o valor do sentimento sincero, da fé inabalável e da vontade de viver. E receber de braços abertos todas as oportunidades, todas as chances. Todas as coisas.


Porque essas sim são as coisas boas, e as coisas boas vão sempre estar aqui esperando, ano após ano.


Valeu 2014.


domingo, 30 de novembro de 2014

Esse será o fim de todos nós

Havia muito de mim gritando, xingando, lutando e se debatendo pra entender porque eu estava perdendo tudo pelo que havia lutado. 
Esse é o significado deles para prosperidade: 
Você em coma.
Sua ganância.
Mantê-lo burro.

"Estudar, casar, seguir em frente. Começar uma família, vamos se mexa!"

Esse meu jeito só tem funcionado pra mim. Tô dando o meu melhor pra fazer o máximo de cada minuto e eu quero aprender com os meus erros, e que tudo fique ok se eu me segurar com tudo.

Alguns deixam de amar cada palavra que um dia disseram. Só quero nunca perder minha essência, e ser a faísca que vai acender a chama bem no fundo do meu coração. O começo de me tornar algo bem maior do que eu já sou. 

Mas eu grito essas palavras no espelho, tentando encontrar esse herói. E viro o rosto e finjo ser, à toda velocidade para o ódio. Forçando a natureza contra a sua vontade.


Só me diga o que eu faço para acabar com isso.

Já estive por aí tempo suficiente pra perceber que eu vejo as coisas diferente da maioria. Mas aqui, mentes como a minha encontraram um nome para o que sempre fomos.

domingo, 23 de novembro de 2014

A escuridão na luz

Era pra começar dizendo que é sincero, mas o paradoxo só iria ficar claro no final, e depois do ressentimento sobre a hipocrisia, a verdade viria a tona: É verdade mesmo não sendo.

Bem clichê, como aqueles filmes de suspense que já começam com a cutscene do vilão enfatizando a iminente derrota do protagonista em seu último gesto de martírio, e aí vem o título:

A ESCURIDÃO NA LUZ.

(E logo depois, a introdução em um contexto completamente diferente)

Há algum tempo, perdi um bom amigo. 
Daqueles que você não precisa inventar uma razão pra estar ao lado; do tipo que mesmo quando você está calado, sabe exatamente o que dizer, e por saber, também cala, e que divide muito mais do que tempo ou dinheiro. Se preocupa mais em compartilhar memórias e sonhos.

Algumas vezes tenho a impressão de que ele não se foi. Que está em uma viagem de férias em outro país e simplesmente não tem sinal para responder as mensagens. Ou que mudou de endereço e acabou esquecendo de avisar, e todas as cartas e cartões postais retornam como 'Falecido' (porque com certeza algum funcionário da empresa de postagem marcou a opção por engano).

Mas quando tomo uma dose de realidade, a ressaca é forte e cada onda bate com a ferocidade de um tapa da vida, me tragando pras águas mais profundas.

E de verdade? Eu tive medo sim. E não foi de apagar a luz antes de dormir. Foi de acendê-la pra acordar.
Impossível dizer que a ausência não pode ser preenchida, mas em quase todos os casos, uso a estrela para tampar o buraco da bola, insistindo que se não fossem as cinco pontas ela caberia perfeitamente. Tenho o dom de errar, e a sina de aprender. E desde que ele se foi, aprendi que não importa o quanto você tente, esquecer é impossível. E quando eu tento esquecer algo que não sei a razão de não estar ao lado e que sempre me disse tudo o que deveria dizer para mim mesmo, não existe nenhuma moeda, nenhuma circunstância. Seria abrir mão de mim mesmo.

Não me recordo ao certo a primeira vez que ouvi a palavra, mas a designação que eu tive em mente sempre foi tão literal quanto limbo possa soar, e descreve perfeitamente o que é atravessar o Estige sem nenhum trocado no bolso. Me recorda o que passei.

E mais uma dose de realidade, pra tentar esquecer. É incrível: quanto mais me conheço, menos me reconheço. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Tentar

Ele sabe que existe o erro, que as probabilidades estão calculadas à seu desfavor e que cada gota de água no asfalto é um novo adversário. Mas ainda assim o braço que guia o volante quer superar todas as forças humanas e naturais que o colocam fora do seu objetivo.

Obrigado pelos transatlânticos persistência, as canoas jamais serviriam champagne e caviar. (Tenho quase certeza de ser uma das falas de algum figurante de Titanic)

Arriscado seria não conhecer os erros, não estipular alternativas e acreditar em realização sem preparo. Não houve uma única curva sequer que ele tenha feito sem que em sua mente estivessem todos os traçados possíveis, desde o tempo de frenagem até a sua retomada. Ele conhecia o carro, a pista, e a chuva como ninguém. Além de preparado, ele já havia tentado milhares de vezes. 

E a prática sempre é recompensada.
Assim como o lutador que esquiva do golpe, cada ultrapassagem é resultado de inúmeras falhas. A quantidade de hematomas que formam um campeão é exatamente a mesma quantidade de vezes que ele pensou na vitória, e se Ali nunca tivesse sofrido um nocaute, jamais teria se tornado The Greatest

Tentar é assumir que TODAS as consequências fazem parte de um objetivo maior, e que os erros e fracassos também são parte do sucesso. É ter a força para estar pronto para o combate, a sabedoria para realizar os julgamentos coerentes e a humildade para acolher os erros com a mesma alegria da vitória.

O preço a se pagar? Tudo depende de com quanta vontade você irá tentar.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Atrasado

Vivemos na correria.

Acordado no susto, e correndo o dedo pra desligar o despertador. Banho rápido, café de máquina e metrô lotado. 
Escada rolante: pista expressa do horário comercial.
O cartão, pra evitar a fila. O fone, pra evitar o diálogo. A pressa, pra não perder tempo.

O 'bomdia' monossílábico, pergunta automática, resposta mecânica, caixa eletrônico e débito on-line.

Mais rápido. Já tá quase na hora do almoço: Fast-food. coffe break, cigarette pause.

Mais depressa, o relatório está atrasado. A impressora à laser pifou. O wi-fi caiu.

Corre pra bater o ponto e marcar a hora extra. O tempo da capital rasga o céu, e a Sapucaí é quilométrica até a próxima quadra.

O farol é o zombador dos apressados, e o relógio é o golpe de misericórdia: 38 graus de atraso escorrendo pela testa, gotas apressadas até a gola da camisa entreaberta - não deu tempo de fechar na correria.

E os momentos viajam a anos-luz pela mente, rápidos demais para serem lembrados, e cotidianos demais para serem esquecidos.



*BEEP*


E morremos parados.

Perdemos nossas manhãs brigando com o botão soneca. 
Abrimos mão de relacionamentos, para termos mais tempo para alimentar nossos egos.

Cumprimos horários ao invés de comandarmos o relógio e decidir quando. E perdemos a noção do porque fazemos.

Pensamos e agimos de maneira tão instantânea, que agonizamos a demora para o miojo ficar pronto. Para o download acabar. Para que as coisas aconteçam sem que tenhamos que testemunhá-las.

Não é do fim que temos medo. É do que vai acontecer antes.

sábado, 4 de outubro de 2014

O que você não vê

Eu confesso que eu odeio isso, se for a única maneira. Tudo vai ficar bem, só tenho que manter minha mente em sua cama e sua cama na minha mente.

De todas as estradas, eu peguei o pior caminho e eu continuo a culpar o futuro em coisas que eu temo. Seu apelo é esconder tudo o que deveria ser.


Now I just abuse substances to drown out your accomplishments however few

Eu sei que parece que estou sempre chateado, mas juro que toda a dor se foi, não há mais traço de temor ou medo aqui. Agora é apenas questão de paciência, eu sou o livro sempre aberto que você nunca leu, dizendo palavra após palavra a mesma história, o mesmo fim.

Não importa quanto tempo passou, eu vou esperar.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Ateliê

'O antes e o depois não era claro. Era como um amanhecer, perfeitamente esperado após a noite, mas o céu havia mudado de cor. E o sol tocava seus olhos cegando qualquer horizonte, qualquer perspectiva. Só havia uma direção. Apenas aquele caminho, que ele sabia, mas não via.E deslizando o calcanhar pela lateral da cama, tocou lentamente o carpete e percebeu: Havia dado o primeiro passo em direção a ela.'
Aquele quarto, aquela janela... É estranho o quanto algo tão simples e trivial pode representar dentro de um contexto. O momento ainda é uma mistura de sensações e situações não compreendidas, não interpretadas, não julgadas, não esquecidas.
Experiências vividas, e vívidas.
'Detalhista ao nível masoquista.' - Você me ganhou nessa frase. Acho que naquele olhar também, e naquela mania de lamber a tampa do iogurte, e de não deixar o chinelo virado e de fazer parte de mim de uma maneira tão simbiótica que a palavra 'nós' era o primeiro sujeito do meu singular. Que já não era mais singular.

Já é a terceira tela na semana. E a oitava do mês. 
E o ano mal começou.


Ela, já nela.

A luz não estava muito boa, choveu, a umidade do ar não ajuda a secar, os pincéis estão gastos, o sono, os projetos, o trabalho... Justificativas pra adiar o inevitável. Já não sei mais qual o momento, qual a sensação, qual sentimento. Cada vez que começo, o filme começa. E são luzes desfocadas no mesmo cenário, com centenas de momentos acontecendo a cada traço, a cada pincelada. E o começo fica confuso com o final, e a cena parece ainda mais real do que na memória. E o paradoxo toma a forma daquela janela. As cortinas balançam e vejo você. E o redemoinho de emoções e lembranças toma proporções perigosas.

Tracei a moldura. É branca com detalhes, mas a cortina era lilás ou verde-clara? Você lembra? Virou uma persiana, pra combinar com aquele abajur da exposição que você passou semanas querendo, e três dias depois esbarrou e quebrou no primeiro porre em casa. E deu lugar pro bar, que depois se tornou seu espaço da yoga, e de repente não entendo mais nada. Os traços estão borrados, fora de perspectiva.

Já é a quarta tela na semana.
'Percebeu que ainda estava dentro do momento. A realidade o atingiu com um impacto surdo, e seco, sem espaço para esboçar qualquer tipo de previsão, ou precaução. Não existia pensamento, nem cálculo, nem análise. Era pra valer. 
E então ela se foi. Uma janela fechada, lábios cerrados e coração aberto. Nunca se sentira tão só, e até os pensamentos evitaram um murmúrio para não interromper o efeito anestesiante que vem depois da dor: A culpa.'

sábado, 31 de maio de 2014

Dia 1.

São 6 horas da manhã, e sua mão não alcança o despertador antes das vozes dentro de sua cabeça começarem a lhe dizer que é muito cedo, muito escuro, e muito frio para se levantar da cama.
Músculos doloridos ainda estão em rebelião, fingindo não ouvir seu cérebro ordenando-lhes para se mover.
Uma legião de vozes está gritando pela sua permissão unânime, para que você aperte o botão soneca e volte para a terra dos sonhos.

Mas você não pediu a opinião deles.

A voz que você escolheu ouvir é um dos desafios.
A voz que disse que havia uma razão para você programar o alarme em primeiro lugar.
Então sente-se, coloque os pés no chão, e não olhe para trás, porque há trabalho a ser feito.

Bem vindo ao trabalho árduo.

Pois o que é cada dia, além de uma série de conflitos entre o caminho certo, e o caminho fácil?
10 mil desculpas se espalham como um delta de rio diante de você, cada um prometendo o caminho de menor resistência.

Mas acontece que você está indo rio acima.

E quando você toma essa escolha, e decide dar as costas para o que é confortável e seguro, e o que alguns chamariam de senso comum, bem... Esse é o dia UM.

Deste ponto, só fica mais difícil.

Então tenha certeza que isso é algo que você realmente quer, porque a saída mais fácil sempre estará lá, pronta pra te levar. Tudo o que você tem que fazer é entrar no seu ritmo.



Mas você não vai ceder.

A cada passo vem a decisão de tomar outra decisão, e nessa parte do caminho, não é o momento de observar de quão longe você veio. Você está em guerra contra um adversário invisível, mas pode senti-lo no seu calcanhar, respirando às suas costas. Você sabe o que é isso?

Isso é você.

Seus medos, dúvidas, suas inseguranças, todos alinhados como um pelotão de fuzilamento pronto para te executar. 
Mas não desanime.
Eles não serão facilmente derrotados, mas estão longe de serem invencíveis.

Lembre-se: Esse é o trabalho de verdade, a 'battle royal' entre você, seu corpo, sua mente, e o diabo no seu ombro que fica dizendo que isso é apenas um jogo, que isso é desperdício de tempo, e seus oponentes são mais fortes que você.

Abafe a voz da incerteza com o som da batida do seu coração. Livre-se da dúvida de si mesmo com o fogo dentro de você.
Lembre-se pelo que você está lutando e nunca esqueça que aquele momento é um cruel carrasco que estará sempre procurando a fraqueza em sua armadura, naquela pequena coisa que você esqueceu de treinar.

Encare, e quando colocar seus pés sobre a conquista, lembre-se de perguntar a si mesmo:
Isto é tudo?

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Paralelos Convexos

Eu desisto.

Mas desistir é tão simples quanto do óbvio duvidar
E apostar, ganhando a derrota, e perdendo o lugar
Aceitar que a negação é perpétua
E no mais, menos é a meta
Porque quanto mais distante, mais próximo fico
E quanto mais desisto, mais eu persisto


I know you'll be a star in somebody else's sky

Não duvido da certeza de que cedo será tarde
E depois de tudo perdido, ainda terei a saudade
Que vai ficar, indo todo dia
E a noite volta, triste alegria
Pois retas que não se cruzam, que jamais se encontrariam
São o céu antes do amanhecer, amantes errantes que dariam
O quanto mais pudessem
O quanto mais quisessem
E sozinhos, juntos ficariam

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Manchete

Eu procuro fugir das notícias. 

A cada esquina me esforço para esquivar dos tabloides e tentar passar desapercebido pelas colunas ufanistas e hipócritas que circulam violentas como balas perdidas.
Em cada título vejo uma mordaça, e por cada linha que que passo sinto os grilhões apertados de uma liberdade de pensamento utópica, que é forçada a engolir à seco pílulas de conteúdo duvidoso, e controle rigoroso, a cada palavra.




E a insanidade se veste de preto e branco e carrega estampada em primeira página o retrato de uma realidade cada vez mais absurda: Não sabemos o mínimo do que deveríamos, mas doutoramos todos os aspectos da irrelevância.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Apaixone-se

Que seja pelo sorriso daquela criaturinha, que te acordou as quatro da manhã pela terceira vez na semana.
Ou por aquele sabor novo, que trás tantas lembranças. 
Seja um pôr-do-sol, ou uma noite serena, ou pelas quintas-feiras de feriado, ou por seus projetos pessoais: Mas se apaixone.

Um estudo realizado por uma universidade da qual não me recordo, e coordenados por vários mestres que devem ser referência em algum campo de estudo que eu nem imagino, apontou que uma determinada porcentagem de indivíduos, da qual não faço ideia, é mais (ou menos) suscetível à se apaixonar.


Quem nunca sofreu por se apaixonar, nunca vai saber o quanto realmente dói ter um coração partido.
A premissa é piegas (porra, piegas é essa palavra!), mas faz jus à todas as relações diretas e indiretas que o sofrimento e o prazer tem com a nossa entrega emocional em praticamente todas as atividades que realizamos, sejam elas profissionais ou pessoais.
Aquele leve arrepio, e até um frio na barriga quando nos deparamos com situações que nos proporcionam prazer, ou dor, já são sinais de que não apenas o coração, mas o corpo, reage a todos os estímulos que estão associados. Esses então se manifestam de diferentes formas, mas nem sempre estão associados aos respectivos motivos.

Quando há um estímulo que nos provoca prazer, euforia e nos trás bons sentimentos, é bem provável que a lembrança não nos submeta a conflitos, mas sim à realização, e a resposta do organismo é imediata, liberando grandes doses de hormônios que promovem sensações prazerosas.
Evidentemente, quando recebemos estímulos que estão associados a sensações ruins, a resposta é absorvida mais lentamente, como uma tentativa de postergar uma dor forte em pequenas doses suportáveis. 
Ter um coração partido é um sentimento de abandono, impotência e culpa na grande parte dos casos, mas nem sempre está associado a um estímulo negativo.

Pode ser aquela entrevista que não deu certo (E você estava super empolgado)
Provavelmente qualquer expectativa de viagem que você criou (E lembrou que tinha que pagar o cartão de crédito)

Analisando a influência desses sentimentos dentro nossa percepção e reação, é impossível dizer que cada sentimento está associado a uma emoção, sendo que cada um de nós tem uma maneira ímpar, e única, de assumir decisões.
Não há quem sinta prazer em ser acordado durante a madrugada, mas o prazer de ver o sorriso de sua filha é o desequilíbrio na balança. É o que vai te fazer suportar horas no trabalho para poder fazer a viagem que você sempre quis. 
A questão em realmente se apaixonar, e dispôr-se a entregar-se completamente, é assumir também a responsabilidade pelas consequências, é uma jornada no auto-conhecimento e na realização que não tem limites.

Se apaixone, se entregue completamente ao que te faz realmente bem e bom.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pode ser


Pode ser que aquele frio na barriga se torne o calor que teu coração precisa.
E aquela ansiedade que te faz suar frio, faça você perceber que suas mãos não tremem quando estão juntas.
Aquela arritmia, a falta de ar, que só não é maior do que a falta de palavras, vai te fazer aquietar o espírito. 

E respirar.

E sem precisar dizer nada, você vai sentir.



E aí pode ser que você entenda que não é medo: É coragem.


Pra se colocar não à frente, e nem por detrás, mas ao lado.
Pra estar disposto a fazer absolutamente tudo, sem esperar absolutamente nada.


E pode ser que aquela lágrima se torne um sorriso no rosto.
E as brigas e discussões transformem o ego em caráter.


E daí, vai que você entende que não é dúvida: É certeza.


De que sempre terá alguém ao seu lado.
E de que viver é dividir absolutamente tudo, e levar absolutamente nada.


Ainda assim, só assim, pode ser que você entenda o que é o amor.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Mas o que eu quero lhe dizer, é que a coisa aqui tá afrodescendente


(Recomendo fortemente a música acima)

Já fazem 50 anos.

Desde que com a dor chegaram
Desde que ao prantos, de ti me levaram
Conter a agonia, eu queria
Rezava e pedia, a cada dia
Para que voltasse
E 'se' voltasse

Contra a violência insana
Que se auto-proclama
Intitulada de liberdade
Conhecida pela saudade
E só não mais odiada, do que temida
Te reencontrar é uma promessa perdida
Mas cumprirei-a afinal
Todas as fotos e muros, 
Rebentos prematuros
De uma discordância verbal:
'Ame-o ou deixe-o'
Simbolo do estado irracional

E do teu sangue e tua ausência
Nas tuas cartas tive ciência
E pude entender também em seus versos
Que davam à dor um tom radiante
E davam ao povo um novo semblante
Cores e caras nas ruas em protesto

E lembrar da história também faz parte
De acreditar que existe resposta na arte
Que busca sem saber
Que explica sem entender
Não pune, se aprende
Não censura, compreende
Não cala, nem tira a visão
Da voz faz a opinião
E a música do violão 
Que de algum canto da Itália tocava
Mas era em mim em que mais pensava
Não uma amante, nem uma paixão
Mas uma mãe gentil, sua nação.

Obrigado Chico.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Diálogo com sentimentos (em poesia)

Pra quê a melancolia, tristeza?
Sabes que a beleza de tua dor
E o êxtase do teu torpor
Me enlouquecem, mas veja:
São somente a represa
de sentimentos barrados
soluços acumulados
e presos a uma garganta
Que privada da voz, ainda canta
Em melodia sem tom
Em harmonia sem som

Em ritmo descompassado
Um passo meio atrasado
Meio valsa, meio bolero

Tristeza, serei sincero
De teu drama me faço protagonista
Ainda que saibas que exista
Apenas na minha lembrança
Mas não dou devida importância
O teu pesar é minha agonia.


Pra quê as lágrimas, decepção?
Elas que escorrem e a fronte esmorecem
E ligeiras desaparecem
Sem deixar traço ou feição.
Mas marcam além da pele
Aquém do olhar mais profundo
Deseja apenas que o mundo
Seja o que esconde, e nunca revele


Decepção, de ti minha pena é coadjuvante
Porque sei que a cada instante
que quiser sua presença
Estarei mais distante
Não do porto errante
Mas sim do cais de nossa sentença.

sábado, 22 de março de 2014

Em frente

Mal sabes o que te espera após o véu
Nem tampouco a imensidão azul do céu
pode descrever o tamanho e intensidade
Essa que pequena apenas é o nome: vontade

Mas bem sabes que te custaria mais
De aquietar-se, calar-se e buscar a paz
em um profundo silêncio que tudo diz
Amar a si mesmo é essencial a um ser feliz

Mas a tempestade vem, e se a ti chegares
Enfrente, e lute, e navegue os mares
Descubra terras, e se reinvente
O que atrás deixaste, é o que te move em frente.

terça-feira, 18 de março de 2014

Bittersweet II

Você não sabe o quanto esperei esse convite.
Mal consigo colocar meus pensamentos em ordem.

Espero que você não chegue antes, odeio a sensação de estar sendo observada, mas só me deixe esperando se quiser encontrar uma cadeira vazia.
Vou cortar o cabelo sim, mesmo sabendo que você não vai reparar, e a maquiagem vai ser pra disfarçar o rosto corado de incerteza e insegurança. Perdoa o borrado, estava nervosa...

Aquela carona que pedi acabou não dando certo, mas achei um taxi aqui, espero que sobre dinheiro pro jantar e pra volta.
Pensando bem, a volta não é tão importante assim...

Ainda não acredito que estamos aqui! Foi alguma minha que te disse que adoro esse lugar não foi? O jeito que você fala já me faz sorrir.

Ainda bem que não foi caro, vamos dividir e andar um pouco por aí, que tal?
Acho que eu devo estar agindo como uma perfeita idiota... O seu jeito de falar, a maneira como você me olha, tudo isso, só me faz me sentir mais a vontade perto de você.

Nem precisa dizer, estou terrível.
Mas o jeito que seus olhos encaram os meus é anestesiante. Mais do que a tequila.

Tira a minha roupa devagar, quero aproveitar cada momento disso.

Não espero que você seja perfeito.
Você me fez gostar de você assim.

Homesick

Eu escrevo o que eu sinto e digo o que penso porque não há preço na sinceridade.
É muito tarde para você ficar tentando resolver o passado agora.

Então não me pressione, eu não tenho mais nada a perder. Essa é a vida que escolhi, a vida que eu vou levar, e ninguém nunca vai poder tirar isso de mim.
Tenha fé em mim, porque há coisas que eu vi que ninguém acreditaria, eu nunca vou esquecer os dias que passamos juntos eternamente, você não sabe como isso me assusta.

Estou me segurando à um conto de fadas.

Passei por muitas coisas esse ano, é como se tudo o que eu amo estivesse se desfazendo. Mas esses são meus dez passos para não ser igual a mais ninguém.

Todos que eu costumava conhecer dizem que não sabem o que me tornei, mas eu continuo o mesmo.
E não se atreva a dizer que podemos ser amigos: não sou apenas um garoto que você pode descartar.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Take Off Your Pants and Jacket

Tudo está caindo aos pedaços, e ela apenas disse: 'Eu esqueci que você está aí...'
Quando você sorri, é como se eu derretesse por dentro, já é véspera do natal e eu não embrulhei um maldito presente.


Eu faria um desejo a uma estrela, mas ela não brilha mais, tudo é melhor quando você está por perto. Eu deveria dizer logo isso, antes que as palavras desmoronem e se percam, mas eu tive aquele sonho sobre você de novo: 'Deixou uma cicatriz, tamanho extra grande.'

Jovem e estúpido, deixado para trás, então me dê uma boa razão, porque eu acho que já é hora de eu partir.

Por favor, me leve para casa.

quarta-feira, 12 de março de 2014

The Colour and The Shape

Eu nunca deveria ter aceitado esse trato.

Eu nunca quis mais do que poderia caber em minha mente, tudo desaparece com o tempo, é verdade: Minha cabeça e seu coração estão na mesma constelação.
 Vou manter a distância do que sinto, e agora eu não consigo imaginar como esse amor poderia terminar. Verdade ou consequência, diga isso alto: 'Como eu pude acabar nas mãos de outro alguém?'
Eu estive esperando por algo, e você pediu por paredes. E eu as construí, o mais alto que pude.

Se tudo pudesse ser tão real assim pra sempre...

As coisas simplesmente não funcionam sem você, mas ultimamente, é tudo o que tenho feito.

terça-feira, 11 de março de 2014

Bittersweet

Quando eu te convidar para sair, não espere muito.
Aliás, não crie absolutamente nenhuma expectativa.

Não vou chegar antes do horário e preparar uma entrada triunfal, nem serei pontual e previsível, tampouco te deixarei esperando e pensando.
Vou chegar quando o cabelo resolver ficar no jeito. E aquele corte na cara depois de ter tirado a barba (com as mãos trêmulas e nervosas) já tiver corado. E quando a roupa desamassar, e o sapato não estiver combinando com a camisa (e a gravata estiver com o nó impecável)

Não vou te buscar de carro na sua casa. Não porque não tenho carro, mas porque a distãncia é exatamente o que move a gente a ir. E nem vou prometer pro seu pai que vai chegar cedo.
Você vai embora a hora que quiser. Se quiser.

Também não vou reservar a mesa mais disputada, no restaurante mais caro da cidade. Nem champanhe, nem violino, e nem pratos de 3 mil dólares e 2 garfadas. Talvez um bar, ou uma lanchonete, ou qualquer lugar aonde sua voz e seu sorriso sejam mais importantes do que a ordem dos talheres.

Não prometo ser bacana, vou pedir para dividir a conta e contar moedas.
É tudo parte do trato.

Se eu me comportar como um perfeito babaca, o que também não vou deixar de fazer, não é pro seu bem: Tem alguém aqui dentro que sabe que o seu lugar é aí fora. E não pode deixar de não querer admitir que não, quando é.

E não vou dizer que gostei do corte de cabelo. Mas você vai saber que reparei quando estiver entrando no táxi e perceber que estou levando seus sapatos. Não é que eu me importo importo sim , mas eu não te pedi pra tomar tequila. E não pedi a segunda dose e nem a terceira. 

Não demore pra tirar a roupa.

Mas não espere flores no outro dia.
Você me fez gostar dos espinhos.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Self Titled

Nós estamos à sós, pode sentir?

Você consegue conforto sentindo a vingança?
Não desperdice seu tempo comigo...você fala e faz o tempo parar.
Eu sei que estou errado (mas não consigo parar de acreditar)
Seus votos de silêncio estão por toda a parte

'Me segure, estou caindo'

Mas eu não quero saber.

Minha cabeça é feita de memórias, e a maioria são desilusões inúteis, e eu sinto falta de seu sorriso, de sua risada.
Aproveite o momento, porque a memória está se apagando, e me use Holly. 
Vamos lá, me use.

Nós sabemos aonde vamos.

Eu só preciso de mais tempo pra consertar isso, porque eu estou perdido sem você.

Catalyst

Não acredite em uma palavra do que disserem.

Você contradiz o fato de ainda me querer por perto, e toda a minha vida eu procurei pelas respostas.
Há uma garota que eu conheci a um tempo, e seus olhos estavam cobertos por óculos de sol.
Você deveria confiar em quem está perto de você, porque parece que já estive lá.


Só espero que você aprenda a lição.
Você não deve ter coração, ou mais nada em seu peito, e construiu muros tão altos que jamais pude passar...
Sou bem conhecido por fracassar, por desistir, os números no relógio fazem voltas e minhas pílulas não fazem mais efeito.


Já não posso suportar mais isso, e nunca vou demonstrar minha frustração: A pior coisa que fiz foi quando te deixei entrar.

Só não diga que isso vai ficar assim para sempre.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Mão Única

Digo muito o que sei sobre a dor
E mais ainda sobre o que vivo, amor.
E amar em mão única é o único jeito 
de perceber que dói abrir o peito
E depois de partido em cacos
dói também recolher os pedaços

Tão sublime que não sofro: agonizo.
E o tempo é remédio do qual não preciso
De ter na dor o mesmo prazer
De sentir o torpor na insensatez
Que corrói por dentro, voraz me devora
E em verdade vos digo: não passa, demora.

Não há ferida, não há sangue que escorre
de algo que vive, e por isso também morre
Mas que sentido há em descrever a dor
Se para vivê-la, hei de morrer do amor?

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Entre Ter

Doce, ainda que demores, tenho o tempo a seu favor.
Pra acalentar a falta, que o amargo me sirva de torpor.
E o silêncio, minha loucura contida em pensamento
Tece a trama do passado e do presente momento
em que espero pelo futuro.


Sabe, é injusto, assim como vivemos.
Nascemos sem saber,

e então partimos, sem querer.


So hold me like there's no tomorrow

Deixamos lágrimas, esperando levar sorrisos.
Dosamos o amor, e distribuímos olhares indecisos.
Enlouquecidos de prazer, viciados pela dor.
Tentando manter a sanidade, tentados pela vaidade

e depressivos demais para entender:

É sim, injusto como vivemos.
Padecemos da amargura de existir
E nossa ausência só justifica aquilo
Que não queremos admitir.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Talvez, Vinícius

Talvez

Seja a alegria que te convença

Que vale muito a presença
Que nada em excesso é demais
E a verdadeira dor de quem não ama
Rasga fio a fio a trama
Que frágil se desfaz

E a coisa mais sombria

Que há no mundo
É morrer a cada segundo
Por viver de amar...

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Apenas mais um pouco

Essa noite eu acordei, umas 4 da madrugada
A chuva tava caindo, mas me subiu aquela parada
O suor na testa, coração agitado
Não foi algo assim tão ruim pra me deixar nesse estado
Sentei na bera da cama, a cabeça baixa
Levantei, olhei, parei, pensei, orei voltei então
Eu comecei lembrar
A cena tava igual
A lembrança tava normal
A pia pingando ou a chuva?
não era sonho, era real

Vi um pai que nem sabia escreve o próprio nome
Vi uma esposa que sabia só o que era passa fome
Um muleque que não teve quase nada da vida
Aprendeu que sonhar é igual correr num beco sem saída
E mesmo assim encontro foco, encontro força, encontrou fé
Assumiu tudo esses erros, caiu pra ficar de pé
E seguiu com a sua luta, provou que o mais difícil
É provar pra você mesmo
que não tem essa de impossível
Pensou em larga escola
Desistir de joga bola
Já tem uns irmão no corre
Vai que uma hora rola

Foi tipo Cristo no deserto, tentado a cada momento
só tendo que decidir entre culpa e arrependimento
A inveja e a ganância, desde a sua infância
Vivendo com quase nada e pensando na importância
De poder viver em paz, com a própia consciência
De saber que o que ce faz, ce tem de volta em consequência
E não foi nenhum juiz, policial aquele instante
Que tirou o que ele tinha de mais importante
Foi o tempo
Que deixou registrado que ninguém vai mandar mais
Do que o próprio passado
Agora aguenta, já nem é novidade
Pra quem perdeu tudo a mãe e o pai já é maldade
Me diz aí, onde ele tava nessa hora?
'Fazendo aquela fita, num funk perto da escola.'
É o relato de quem viu, ele chegando
Com aquela moto nova, cromada tudo brilhando
Comprada com o suor de um ano e mais um mês
Centavo por centavo, entrada mais 12 vez
Mas quando viu a cena, só então sentiu a pena
Sentenciado pela vida a morrer com um dilema
No outro dia uma nota, uma parada discreta
chegou a comenta até no Cidade Alerta
'Dois bandidos em fuga entraram em uma favela
Fizeram dois reféns, desceram pela viela
E quando foram se entregar, fim da negociação
Mataram o casal a tiro e se mataram, eram irmãos'
E pergunta pra mim, o que ele fez no final?
Levou flores pra mãe dos muleques no funeral




Ce vai falar que é utopia
ou 'Vini, caralho, ce fico loco?'
mas o foda é que tudo que o pobre quer nessa vida
é ter apenas mais um pouco
Não é um pouco de dinheiro
É um pouco de fé pra aguentar
E deita tranquilo no travesseiro
E pode pelo menos sonhar
Um pouco de humanidade
Pra andar nessa cidade
Sem se desacreditar
Era só o que ele queria
Um pouco daquilo que tá cada vez mais difícil de se encontrar
Um pouco de obrigado, um pouco de bom dia
Só um pouco dessa parada aí que ces chamam de alegria

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Soneto IV

A areia desce da ampulheta o estreito
Escorre a grão, segundo, instante
Momento exato, intacto perfeito
O tato, o lapso e o fio do semblante

Esboça a malícia e cora: embaraço
Rampante voraz que devora e sacia
Ata os nós, embaraça os laços
E o prende e desfaz de seu ciclo vicia

Ruge, provoca, açoita e pede
Se rende e desdobra a loucura ao lençol
E preenche o espírito a um, um momento 

Assim como o grão que reflete o sol
Espaço vazio preenchido com tempo
Toca a areia e o marco cede

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Instinto Racional

'Bebeu. O gole seco e a garganta arranhada, o suor na têmpora escorrendo pela barba por fazer tocou a gola da camisa e o copo foi ao balcão de mármore. - Mais uma. - Imperativo, sem olhar fixo, sem esboçar sequer uma reação. E foi a oitava dose.O ponteiros marcavam dez minutos para a meia noite quando ele acenou para o táxi. O resto do caminho foi involuntário, até se dar conta de aonde realmente estava: O jardim, a caixa de correios, a persiana. E a janela.Vidros fechados e persiana aberta, mas com certeza já dormia.Buscou o maço de cigarros no bolso, e lembrou das chantagens positivas - Sacanagem.A luz acendeu por dentro da janela e ele percebeu uma silhueta se formar por detrás da persiana: Era ela.Uma mão tocou a janela, que lentamente se abriu.- Ô meu chapa! - Alguém cutucava seu ombro.Abriu os olhos e viu a forma desfigurada do rosto do atendente por trás do vidro do copo. O bar já estava a fechar, mas o balcão do qual levantava o rosto era de madeira.'

Hoje pensei em você.

Um pensamento, ainda que abstrato, é apenas um pensamento. Ainda que estranho, insano ou bizarro. É algo mentalizado, que pertence a uma realidade remota, preenchida apenas com as infinitas possibilidades do 'e se'.
Alterar esse pensamento significa brincar com a lógica. Explorar raias obscuras da racionalidade, e quem sabe, da irracionalidade.
Do instinto, do prazer.

Mas colocar uma realidade dentro de um contexto de tal teor é como aproximar uma brasa da gasolina, ou se dependurar de um prédio de quinze andares. Perigoso, porém, tentador. E a mente humana quase sempre tende a ser instintiva. Sente prazer no irracional. Busca respostas no ilógico.

Mas é tão extasiante a sensação de criar o que quisermos, de controlar a tudo isso, que nos rendemos à tais impulsos assim como uma criança para de chorar ao ganhar um doce. E abraçamos as possibilidades. A eterna gratidão pelo que pode ser é instantaneamente trocada pelo arrependimento do que poderia ter sido. E o paradoxo das possibilidades se abre como um buraco negro devorando uma galáxia recém-formada, reduzindo um gloriso oceano à uma mera poça de lamentos.

E a velocidade que isso acontece no espaço de um pensamento é tão grande que quando percebemos, já aconteceu. Sentir as emoções através de um pensamento é como jogar um videogame de corrida. Sentar no cockpit e vencer uma prova é viver essas emoções.

'Levantou, ainda sonolento e desorientado pelo álcool. Procurou a carteira no bolso esquerdo. Documentos. Seu nome. A foto 3x4. Era ele.O atendente voltava lentamente, e seu semblante era mais fechado. Havia algo errado.- Cara, é você? - apontou para a televisão na parede oposta, e seguindo a orientação do dedo magro do rapaz, virou o corpo na cadeira alta e sentiu o alcool se tornar gelo dentro de suas veias.O mesmo rosto da foto. O mesmo nome do documento. E um letreiro: PROCURADO POR ASSASSINATO.'

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Ex-posição

'Percebeu que ainda estava dentro do momento. A realidade o atingiu com um impacto surdo, e seco, sem espaço para esboçar qualquer tipo de previsão, ou precaução. Não existia pensamento, nem cálculo, nem análise. Era pra valer. 
E então ela se foi. Uma janela fechada, lábios cerrados e coração aberto. Nunca se sentira tão só, e até os pensamentos evitaram um murmúrio para não interromper o efeito anestesiante que vem depois da dor: A culpa.'

Desisti das telas.
Na verdade apenas abri mão temporariamente de uma morfina psicossomática associada a um talento para colorir, e um talento para não esquecer. Aprendi a apreciar a obra dentro do contexto ao qual ela pertence: Uma realidade finda, presa a seu tempo e à minha sina, lembrar.
Não é trazer a tona. É como lembrar do primeiro mergulho, ou do primeiro beijo.
Decidi que vai ser assim, e a culpa é minha. Fica mais fácil se culpar quando não existe nenhuma explicação plausível ou lógica. Ou poderia culpar Deus também, mas que diabos ele tem a ver com isso eu sinceramente duvido que saiba.
Uma culpa recíproca, é até um pouco covarde, mas vicia. O perdão é garantido, e a dignidade nessa história vale tanto quanto as telas. Ou menos, o abstratismo sempre ganhou mercado, tanto artístico quanto psicológico.

Aquela dose forte, e lenta, Milton, é... tô começando a te entender, e a não entender mais nada sobre amor. 

Foi questão sim de assumir uma posição, mas em relação a realidade. Estabelecer o que foi bem longe de o que é, e abrir mão de lógicas explicativas sobre uma relação de como existe um padrão comportamental que se repete ao longo dos anos. Eu já conheço esse padrão que já tem se repetido por demais num ciclo muito curto, e é absolutamente contra todas as teorias de psicanálise sobre como o aprendizado pela dor pode influenciar o desenvolvimento de psicoses e traumas. Ou eu posso estar completamente errado, e louco.

Seria loucura traduzir pinturas em palavras?

'Bebeu. O gole seco e a garganta arranhada, o suor na têmpora escorrendo pela barba por fazer tocou a gola da camisa e o copo foi ao balcão de mármore. - Mais uma. - Imperativo, sem olhar fixo, sem esboçar sequer uma reação. E foi a oitava dose.
O ponteiros marcavam dez minutos para a meia noite quando ele acenou para o táxi. O resto do caminho foi involuntário, até se dar conta de aonde realmente estava: O jardim, a caixa de correios, a persiana. E a janela.
Vidros fechados e persiana aberta, mas com certeza já dormia.
Buscou o maço de cigarros no bolso, e lembrou das chantagens positivas - Sacanagem.
A luz acendeu por dentro da janela e ele percebeu uma silhueta se formar por detrás da persiana: Era ela.
Uma mão tocou a janela, que lentamente se abriu.
- Ô meu chapa! - Alguém cutucava seu ombro.
Abriu os olhos e viu a forma desfigurada do rosto do atendente por trás do vidro do copo. O bar já estava a fechar, mas o balcão do qual levantava o rosto era de madeira.'

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Cadente 2

'-Você acredita em desejos? - Ela perguntou quase em silêncio.
Ainda deitado, os olhos já haviam se acostumado a claridade repentina, e se encontraram por um instante, os segundos deixando de ter importância para o ciclo do tempo, e durante uma fração de existência, suficiente para que uma ligação sináptica acontecesse, ele soube:
-Desejo acreditar em você.’

' - Quem nunca cometeu uma loucura, que atire a primeira pedra.' - Aí sim eu botava uma fé em você Jesus!
Foi com essa frase que ele de repente despertou. Sentiu a umidade tocar a ponta dos dedos. O vidro do copo lembrava que a cerveja já estava passando, e automaticamente a outra mão buscou a garrafa que descansava no gelo do balde posto à mesa. O sorriso normal. O copo cheio, normal.

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Diferente né? Fora do normal?
Pois é, talvez seja disso que estamos precisando.
De desconformidades. Alterações fora do padrão lógico.
Novidades.

Mas será que tomar um caminho diferente para o trabalho, ou tirar aquela pausa para o café mais tarde, realmente muda alguma coisa? Ou a ordem das variáveis simplesmente não interfere na equação? Seria um paradoxo prever uma possibilidade sujeita à uma probabilidade?

Uma coisa é certa: Leve seu guarda-chuva se quiser apreciar um belo arco-íris, pois o dia que esquecê-lo, ira lembrar apenas do temporal.

'E então ele tirou a armadura.
Despiu o orgulho de qualquer proteção, e vergonha, e se entregou.
Aquela sensação ainda estava sendo digerida, e procurando dentro de alguma explicação entender o que significava. Qual era o sentido de todas aquelas enzimas e hormônios, e pensamentos e dúvidas que tomavam proporções atômicas dentro daquele mínimo instante.
O antes e o depois não era claro. Era como um amanhecer, perfeitamente esperado após a noite, mas o céu havia mudado de cor. E o sol tocava seus olhos cegando qualquer horizonte, qualquer perspectiva. Só havia uma direção. Apenas aquele caminho, que ele sabia, mas não via.
E deslizando o calcanhar pela lateral da cama, tocou lentamente o carpete e percebeu: Havia dado o primeiro passo em direção a ela.'