terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Medo

Eu tenho medo do caminho.
Quando cruzo com um desconhecido,
Ou percebo que estou sozinho.
Tenho medo do que poderia ter sido

Tenho medo do que pode ser.
Quando abro os braços à uma chance,
Tenho medo que nunca a alcance
E tenho medo também de a perder.

Sinto medo porque sou assim
Uma parte de mim que não quer
E outra parte a sempre desejar

Desejo de ser o que não quer
Querendo saber primeiro o fim
Antes do livro começar;


Porque sozinho, não temo nada.


Tenho medo de estar perdido.
Até mesmo quando me calo
Me sinto um peixe, indo pelo ralo
Morrendo de medo de ser esquecido

Mas tenho medo de me encontrar.
De saber o que será daqui adiante,
E medo de que cada instante
Me leve de volta a esse lugar.

Sinto medo porque sinto a dor
Uma parte de mim que sorri
E outra parte a sempre a chorar

E até me falta da vida a cor
Porque em preto e branco o medo me diz
Que tenho também medo de amar;

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Passageira

Diga-lhe que já não sei o que fazer.
Não é um apelo, não me entenda mal.
É uma metáfora, um gesto descrito,
um pedaço de mim que não sabe se grita
ou então se cala.

É uma chuva passageira 
de um verão que ainda não acabou
Parte dela em mim
que ainda não se apagou.

Peça-lhe apenas um pouco de paciência.
Faça-a entender que é preciso a ausência
para existir a saudade.

E que essa saudade é tudo o que me resta do que não ficou.

Diga-lhe que eu entendo, e que eu sabia.
E nem por isso a esqueci, mas
espero uma resposta ou qualquer apatia
que não seja mais do que um 'bom-dia'
ou então me calo.

É uma dor passageira, 
E eu o motorista a todo vapor.
Dor essa que levo em mim
de um remorso que se chama amor.