terça-feira, 22 de novembro de 2016

Escolha uma cor

Não seria tudo o que fazemos em nossas vidas, uma tentativa de ser amado um pouco mais? 

O significado que buscamos para o amor, não deveria ser uma interpretação, mas sim a sua ação.

Se existe algum tipo de Deus, eu acredito que não é uma entidade ou algo, nem que exista em algum de nós, mas sim nada mais do que esse pequeno espaço que existe entre nós.


'Escolha uma cor'

Esse espaço preenchido com todas as incertezas e dúvidas ante à vida. Aos nossos anseios e medos. Vontades e desejos.


Acredito que amar consista na tentativa de realmente entender outra pessoa, de dividir momentos e experiências. No ensaio do que seria a vida perfeita.

Por mais impossível que seja conseguir, mas quem se importa?
A resposta deve estar na tentativa.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Só, e não só.

Só se pensa no amor quando se ama
Não se pensa na dor quando nada dói
Só existe segunda enquanto é domingo
Não se pensa na tragédia quando não há herói.

Só se percebem os olhos quando um cisco cai
Não se sente o frio quando um agasalho veste
Só existe o escuro quando a luz apaga
Não se lembra da lua, senão quando anoitece


Só se percebe o perdido quando o encontra
Não se importa aonde vai, até que chegue
Só é importante para o resultado a conta
E não se lembra do cartão, até que a conta chegue.

Só se ouve o silêncio quando o ruído cessa
Não se preocupa com o que diz até ficar mudo
E só, se fica quando enfim se conhece
E não se reconhece com o que vê no mundo.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Quociente

Tem razão - ela disse. E ponderei-lhe à dedução da lógica.
Que avaliasse a causa, argumentos, fatos e incidentes que levaram à nossa divisão.



Tem razão, ela disse. E razionei à razão.
Que racionasse rasoavelmente a razão, e as razões das razões que levaram à nossa razão.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Vizinhanças

É como se o universo tivesse me deixado, sem lugar nenhum pra ir
Sem sequer uma luz pra me indicar a direção.
Mas você tem algo a esconder? Porque acho que todos temos
Como uma criança por dentro gritando por atenção.
Mas todos trabalham e lutam, toda noite pra conquistar um dia
E vivem pra contar a história de como morremos sozinho, um dia.

Mas ela te quer por inteiro. 
Vai te transformar em pedra.
Do jeitinho dela.

E não consigo encontrar o melhor disso.
Mas eu sempre continuo a procurar por você, porque é de você que eu preciso.


E isso está me enlouquecendo.

Sem esperança, sem atidude, e destituído de gratitude.
As suas defesas mais fortes não passam das marcas dos seus prórpios erros.

Você consegue me entender? Eu fui pego como um moleque roubando.
Será que disse isso alto demais? Um pouco forte e sarcástico talvez...

Sem razão, sem ação, sem silencio ou ajuda alguma aqui.
Ninguém vai me socorrer dessa vez.
Arrombando portas e tentando não morrer, é só uma questão de alguns drinks até as luzes ficarem fortes.

Apenas pare de viver sob a sombra de um helicóptero.

Meu coração está afundando, e preso num ritmo fatal, não dá pra fingir, e nem disfarçar mais. Apagado e perdido num sonho como se fosse o resto de mim. Sempre lutando contra a gravidade.

E lá ela estava. Como uma noite estrelada.
Repleta de olhos azuis-everdeados.
E um coração de aço. 
Sempre em seu mundo.

Quase nunca real.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Medo

Eu tenho medo do caminho.
Quando cruzo com um desconhecido,
Ou percebo que estou sozinho.
Tenho medo do que poderia ter sido

Tenho medo do que pode ser.
Quando abro os braços à uma chance,
Tenho medo que nunca a alcance
E tenho medo também de a perder.

Sinto medo porque sou assim
Uma parte de mim que não quer
E outra parte a sempre desejar

Desejo de ser o que não quer
Querendo saber primeiro o fim
Antes do livro começar;


Porque sozinho, não temo nada.


Tenho medo de estar perdido.
Até mesmo quando me calo
Me sinto um peixe, indo pelo ralo
Morrendo de medo de ser esquecido

Mas tenho medo de me encontrar.
De saber o que será daqui adiante,
E medo de que cada instante
Me leve de volta a esse lugar.

Sinto medo porque sinto a dor
Uma parte de mim que sorri
E outra parte a sempre a chorar

E até me falta da vida a cor
Porque em preto e branco o medo me diz
Que tenho também medo de amar;

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Passageira

Diga-lhe que já não sei o que fazer.
Não é um apelo, não me entenda mal.
É uma metáfora, um gesto descrito,
um pedaço de mim que não sabe se grita
ou então se cala.

É uma chuva passageira 
de um verão que ainda não acabou
Parte dela em mim
que ainda não se apagou.

Peça-lhe apenas um pouco de paciência.
Faça-a entender que é preciso a ausência
para existir a saudade.

E que essa saudade é tudo o que me resta do que não ficou.

Diga-lhe que eu entendo, e que eu sabia.
E nem por isso a esqueci, mas
espero uma resposta ou qualquer apatia
que não seja mais do que um 'bom-dia'
ou então me calo.

É uma dor passageira, 
E eu o motorista a todo vapor.
Dor essa que levo em mim
de um remorso que se chama amor.