Digo muito o que sei sobre a dor
E mais ainda sobre o que vivo, amor.
E amar em mão única é o único jeito
de perceber que dói abrir o peito
E depois de partido em cacos
dói também recolher os pedaços
Tão sublime que não sofro: agonizo.
E o tempo é remédio do qual não preciso
De ter na dor o mesmo prazer
De sentir o torpor na insensatez
Que corrói por dentro, voraz me devora
E em verdade vos digo: não passa, demora.
Não há ferida, não há sangue que escorre
de algo que vive, e por isso também morre
Mas que sentido há em descrever a dor
Se para vivê-la, hei de morrer do amor?
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