segunda-feira, 28 de abril de 2014

Manchete

Eu procuro fugir das notícias. 

A cada esquina me esforço para esquivar dos tabloides e tentar passar desapercebido pelas colunas ufanistas e hipócritas que circulam violentas como balas perdidas.
Em cada título vejo uma mordaça, e por cada linha que que passo sinto os grilhões apertados de uma liberdade de pensamento utópica, que é forçada a engolir à seco pílulas de conteúdo duvidoso, e controle rigoroso, a cada palavra.




E a insanidade se veste de preto e branco e carrega estampada em primeira página o retrato de uma realidade cada vez mais absurda: Não sabemos o mínimo do que deveríamos, mas doutoramos todos os aspectos da irrelevância.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Apaixone-se

Que seja pelo sorriso daquela criaturinha, que te acordou as quatro da manhã pela terceira vez na semana.
Ou por aquele sabor novo, que trás tantas lembranças. 
Seja um pôr-do-sol, ou uma noite serena, ou pelas quintas-feiras de feriado, ou por seus projetos pessoais: Mas se apaixone.

Um estudo realizado por uma universidade da qual não me recordo, e coordenados por vários mestres que devem ser referência em algum campo de estudo que eu nem imagino, apontou que uma determinada porcentagem de indivíduos, da qual não faço ideia, é mais (ou menos) suscetível à se apaixonar.


Quem nunca sofreu por se apaixonar, nunca vai saber o quanto realmente dói ter um coração partido.
A premissa é piegas (porra, piegas é essa palavra!), mas faz jus à todas as relações diretas e indiretas que o sofrimento e o prazer tem com a nossa entrega emocional em praticamente todas as atividades que realizamos, sejam elas profissionais ou pessoais.
Aquele leve arrepio, e até um frio na barriga quando nos deparamos com situações que nos proporcionam prazer, ou dor, já são sinais de que não apenas o coração, mas o corpo, reage a todos os estímulos que estão associados. Esses então se manifestam de diferentes formas, mas nem sempre estão associados aos respectivos motivos.

Quando há um estímulo que nos provoca prazer, euforia e nos trás bons sentimentos, é bem provável que a lembrança não nos submeta a conflitos, mas sim à realização, e a resposta do organismo é imediata, liberando grandes doses de hormônios que promovem sensações prazerosas.
Evidentemente, quando recebemos estímulos que estão associados a sensações ruins, a resposta é absorvida mais lentamente, como uma tentativa de postergar uma dor forte em pequenas doses suportáveis. 
Ter um coração partido é um sentimento de abandono, impotência e culpa na grande parte dos casos, mas nem sempre está associado a um estímulo negativo.

Pode ser aquela entrevista que não deu certo (E você estava super empolgado)
Provavelmente qualquer expectativa de viagem que você criou (E lembrou que tinha que pagar o cartão de crédito)

Analisando a influência desses sentimentos dentro nossa percepção e reação, é impossível dizer que cada sentimento está associado a uma emoção, sendo que cada um de nós tem uma maneira ímpar, e única, de assumir decisões.
Não há quem sinta prazer em ser acordado durante a madrugada, mas o prazer de ver o sorriso de sua filha é o desequilíbrio na balança. É o que vai te fazer suportar horas no trabalho para poder fazer a viagem que você sempre quis. 
A questão em realmente se apaixonar, e dispôr-se a entregar-se completamente, é assumir também a responsabilidade pelas consequências, é uma jornada no auto-conhecimento e na realização que não tem limites.

Se apaixone, se entregue completamente ao que te faz realmente bem e bom.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pode ser


Pode ser que aquele frio na barriga se torne o calor que teu coração precisa.
E aquela ansiedade que te faz suar frio, faça você perceber que suas mãos não tremem quando estão juntas.
Aquela arritmia, a falta de ar, que só não é maior do que a falta de palavras, vai te fazer aquietar o espírito. 

E respirar.

E sem precisar dizer nada, você vai sentir.



E aí pode ser que você entenda que não é medo: É coragem.


Pra se colocar não à frente, e nem por detrás, mas ao lado.
Pra estar disposto a fazer absolutamente tudo, sem esperar absolutamente nada.


E pode ser que aquela lágrima se torne um sorriso no rosto.
E as brigas e discussões transformem o ego em caráter.


E daí, vai que você entende que não é dúvida: É certeza.


De que sempre terá alguém ao seu lado.
E de que viver é dividir absolutamente tudo, e levar absolutamente nada.


Ainda assim, só assim, pode ser que você entenda o que é o amor.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Mas o que eu quero lhe dizer, é que a coisa aqui tá afrodescendente


(Recomendo fortemente a música acima)

Já fazem 50 anos.

Desde que com a dor chegaram
Desde que ao prantos, de ti me levaram
Conter a agonia, eu queria
Rezava e pedia, a cada dia
Para que voltasse
E 'se' voltasse

Contra a violência insana
Que se auto-proclama
Intitulada de liberdade
Conhecida pela saudade
E só não mais odiada, do que temida
Te reencontrar é uma promessa perdida
Mas cumprirei-a afinal
Todas as fotos e muros, 
Rebentos prematuros
De uma discordância verbal:
'Ame-o ou deixe-o'
Simbolo do estado irracional

E do teu sangue e tua ausência
Nas tuas cartas tive ciência
E pude entender também em seus versos
Que davam à dor um tom radiante
E davam ao povo um novo semblante
Cores e caras nas ruas em protesto

E lembrar da história também faz parte
De acreditar que existe resposta na arte
Que busca sem saber
Que explica sem entender
Não pune, se aprende
Não censura, compreende
Não cala, nem tira a visão
Da voz faz a opinião
E a música do violão 
Que de algum canto da Itália tocava
Mas era em mim em que mais pensava
Não uma amante, nem uma paixão
Mas uma mãe gentil, sua nação.

Obrigado Chico.