Bem clichê, como aqueles filmes de suspense que já começam com a cutscene do vilão enfatizando a iminente derrota do protagonista em seu último gesto de martírio, e aí vem o título:
A ESCURIDÃO NA LUZ.
(E logo depois, a introdução em um contexto completamente diferente)
Há algum tempo, perdi um bom amigo.
Daqueles que você não precisa inventar uma razão pra estar ao lado; do tipo que mesmo quando você está calado, sabe exatamente o que dizer, e por saber, também cala, e que divide muito mais do que tempo ou dinheiro. Se preocupa mais em compartilhar memórias e sonhos.
Algumas vezes tenho a impressão de que ele não se foi. Que está em uma viagem de férias em outro país e simplesmente não tem sinal para responder as mensagens. Ou que mudou de endereço e acabou esquecendo de avisar, e todas as cartas e cartões postais retornam como 'Falecido' (porque com certeza algum funcionário da empresa de postagem marcou a opção por engano).
Mas quando tomo uma dose de realidade, a ressaca é forte e cada onda bate com a ferocidade de um tapa da vida, me tragando pras águas mais profundas.
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| E de verdade? Eu tive medo sim. E não foi de apagar a luz antes de dormir. Foi de acendê-la pra acordar. |
Não me recordo ao certo a primeira vez que ouvi a palavra, mas a designação que eu tive em mente sempre foi tão literal quanto limbo possa soar, e descreve perfeitamente o que é atravessar o Estige sem nenhum trocado no bolso. Me recorda o que passei.
E mais uma dose de realidade, pra tentar esquecer. É incrível: quanto mais me conheço, menos me reconheço.

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