Pra quê a melancolia, tristeza?
Sabes que a beleza de tua dor
E o êxtase do teu torpor
Me enlouquecem, mas veja:
São somente a represa
de sentimentos barrados
soluços acumulados
e presos a uma garganta
Que privada da voz, ainda canta
Em melodia sem tom
Em harmonia sem som
Em ritmo descompassado
Um passo meio atrasado
Meio valsa, meio bolero
Tristeza, serei sincero
De teu drama me faço protagonista
Ainda que saibas que exista
Apenas na minha lembrança
Mas não dou devida importância
O teu pesar é minha agonia.
Pra quê as lágrimas, decepção?
Elas que escorrem e a fronte esmorecem
E ligeiras desaparecem
Sem deixar traço ou feição.
Mas marcam além da pele
Aquém do olhar mais profundo
Deseja apenas que o mundo
Seja o que esconde, e nunca revele
Decepção, de ti minha pena é coadjuvante
Porque sei que a cada instante
que quiser sua presença
Estarei mais distante
Não do porto errante
Mas sim do cais de nossa sentença.
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