quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Soneto IV

A areia desce da ampulheta o estreito
Escorre a grão, segundo, instante
Momento exato, intacto perfeito
O tato, o lapso e o fio do semblante

Esboça a malícia e cora: embaraço
Rampante voraz que devora e sacia
Ata os nós, embaraça os laços
E o prende e desfaz de seu ciclo vicia

Ruge, provoca, açoita e pede
Se rende e desdobra a loucura ao lençol
E preenche o espírito a um, um momento 

Assim como o grão que reflete o sol
Espaço vazio preenchido com tempo
Toca a areia e o marco cede

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