sábado, 12 de dezembro de 2015

Só um momento

Não nos culpamos pelas tristezas das vidas que não escolhemos.
A liberdade para escolher é a fonte de tantas de nossas angústias. De nosso medo do arrependimento.
A expectativa de que haja uma fórmula para a vida é a fonte de tantas das nossas decepções. 

Deveríamos encarar o mundo como ele é.
No seu ineditismo. 
Na sua virgindade.

Na sua irrepetibilidade, e sabendo que sem fórmula nenhuma estamos: Diante de um mundo extraordinariamente competente para nos entristecer, mas também capaz de proporcionar grandes alegrias e grandes surpresas.

Momentos que jamais gostríamos que acabassem

São esses momentos que perseguimos, e que farão de nossas vidas sempre algo digníssimo de ser buscada e fantástica de ser vivida.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sente-se

No sofá depois do almoço, e na cadeira do trabalho
Logo depois de correr, e antes de levantar no horário.

Para dividir uma companhia, ou para acompanhar com atenção
Para se concentrar firmemente, ou para medir a pressão.

Se sente, ao que se senta no assento preferencial.
Sente-se que não está bem, mas não se sente mal.

Sente-se, que lá vem história

Na solidão do caráter, ou no precipício da dúvida
Balançando os pés ou se molhando na chuva.

Para compreender o amor de toda maneira
E para entender que a dor é também passageira

Sente-se, então se mostra
Se sente, então se gosta.



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Desculpe-nos.

Caras futuras gerações,

Acredito que falo pelo resto do mundo quando lhes digo:
Nos desculpem. Nós sentimos muito por deixar um planeta destruído para vocês.
Nos desculpem por estarmos tão ocupados com nós mesmos a ponto de não enxergar a realidade ao nosso redor.
Sentimos muito por termos dado ouvidos a pessoas que só arranjavam desculpas,
para não fazer nada.
Eu espero que nos perdoem.
Nós não percebemos o quão preciosa essa Terra é.
Tipo um casamento dando errado, aonde você não sabe o que tinha, até perder.

Por exemplo:
Acho que você sabe aonde fica o Deserto da Amazônia, certo?
Bom, acredite ou não,
Esse lugar era conhecido com a Floresta Amazônica,
E haviam bilhões de plantas e árvores lá,
todas elas exuberantes e marabilhosas e...
Ah,
Você não sabe muito sobre árvores?
Bom, só deixe-me dizer que elas são maravilhosas.
É sério, nós literalmente respiramos o oxigênio que elas criam,
limpam a nossa poluição, o carbono, armazenam e purificam a água,
dão comida para nos alimentar, e tantas outras curas.
E é exatamente por isso tudo que eu sinto muito
Mas nós as queimamos e derrubamos.
Destruímos com máquinas brutais, em um ritmo insano
de 40 campos de futebol por minuto.
Isso é METADE de todas as árvores do planeta
nos últimos 100 anos.
Porque?



Por isso.

Quando eu era uma criança
Eu li sobre os nativos dessa Terra, que tinham tanta consideração
pelo planeta, que se sentiam responsáveis
por como deixariam essas terras para as próximas gerações.
O que me traz grande tristeza, porque a maioria das pessoas hoje
Não se preocupa nem ao menos com amanhã.
Eu sinto muito.
Sinto por termos colocado o lucro à frente das pessoas.
A ganância à frente da necessidade. A regra do Ouro à frente da REGRA DE OURO.
Nos desculpem por termos utilizado a natureza como um cartão de créditos sem limites.
Por ter condenado centenas de espécies à extinção, privando a chance de admirarem sua beleza única, ou se tornarem amigos deles.
Nos desculpem por termos envenenado seus oceanos e lagos, a ponto de não ser possível sequer nadar ou se banhar.
Mas acima de tudo, nos desculpem por nosso pensamento.
Porque em nossa arrogância, tivemos a audácia de chamar isso tudo de "Progresso".

Se os poderosos realmente se importam com isso tudo,
duvido que eles façam algo pelas crianças e mulheres de Bangladesh.
Que tiveram seus lares arrasados pela alta dos níveis do mar
Enquanto esses mesmos poderosos observavam de suas coberturas luxuosas.
Sara Palin, que disse AMAR o cheiro do petróleo:
Passe um dia em Beijing, e explique isso para as crianças
que são forçadas a usar máscaras para poder respirar e ir para as escolas.
Tudo isso pode muito bem ser ignorado e varrido para baixo do tapete, 
Mas a coisa sobre a verdade é que ela pode ser negada, mas não evitada.
Por isso, eu sinto muito futuras gerações,
Sinto muito por nossa marca não ser um jardim, mas sim uma cratera.
Sinto muito por termos perdido tanto tempo com o terrorismo,
E dedicado tão pouco tempo à paz.
Sinto muito por ter condenado vocês.
E também sinto por não termos encontrado uma saída, um jeito
Uma maneira de...

Não.

Quer saber? Eu não sinto muito.
Esse futuro, não. Eu não aceito.
Um erro não se torna uma sentença de morte
Até que você decida corrigí-lo.
A gente pode mudar isso. Como?
Imagine um fazendeiro que vê uma árvore doente.
Ele não vai procurar a causa nos galhos.
Ele busca a causa na RAIZ.
Precisamos nos concentrar na raiz
e não nos galhos do governo, ous dos políticos, ou das grandes corporações.
Nós somos a raiz. Somos a BASE.
Somos a genração responsável por cuidar desse planeta.
É nosso único LAR.
Devemos aquecer globalmente nossos corações.
Mudar o clima das discussões.
E assim iremos perceber que a natureza não é parte do planeta,
NÓS somos parte da natureza, e salvar a natureza é salvar a nós mesmos.
Porque, independente da sua luta, 
Seja contra o racismo, a pobreza, feminismo, ou qualquer tipo de igualdade.
Isso tudo vai ser em vão.
Se não trabalharmos juntos para salvarmos nosso planeta,
Seremos todos igualmente condenados à extinção.

Este texto é uma tradução livre do monólogo de Prince EA - Dear Future Generations
Assista ao vídeo abaixo (Todos os direitos reservados)



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ela

Não deixa ela passar.
Vai ser estranho até perceber, mas vai ser pior ainda se não notar.

E quando perceber, aproveita.
Aproveita porque vai saber que é único. Vai entender o que é real.

E vai estar livre pra realizar tudo.

Mas não deixa ela passar.
Vão existir momentos em que você vai odiá-la, eu sei.
Que qualquer coisa parecerá melhor do que ela.

Que ela não significa absolutamente nada.

Dias em que sua única vontade será a de encontrar um significado para ela existir. Para ela não ser exatamente como você quer, com toda a sua imperfeição e arrogância.

Sim, ela tá zombando da sua cara. Esse tempo todo.
 E você deixando ela passar.

Não existe um jeito fácil, ou bonito de dizer isso. Nada do que você fizer pode lhe dizer se está no caminho certo. Porque ela nunca vai ser igual pra ninguém, exceto para você.

Tudo o que você entregar a ela, vai ser tão unicamente seu quanto o que de você ela vai levar, e nada vai ser igual como foi depois dela. 

Você não vai ser igual depois dela.

Só não deixa ela passar.

domingo, 30 de agosto de 2015

Atordoado

Pisquei e as luzes já não são mais a saída do túnel,
parece que a viagem fica cada vez mais longa.
E essa música no volume máximo também não faz sentido:
o vento é mais alto do que todos os meus pensamentos juntos.

E eles gritam.

A paisagem em movimento, os olhos marejados.
A sensação é a de não saber para onde ir,
e a vontade é a de estar em qualquer outro lugar.

Exceto aqui dentro.

Tiro os olhos da estrada para pegar o celular.
Sem cinto de segurança, fora dos limites de velocidade
Duas garrafas vazias e a cabeça cheia de perguntas.

Não, as regras não existem mais.


Achei o contato, a curva era perigosa
Disquei e desviei, esperei e acelerei
As luzes se apagaram, a música cessou.

Dor.

É assim que eu estou: No limite. Atordoado.
Só não sei se são as buzinas do trânsito ou o tom de ocupado.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Valentine

Na maioria das vezes, nem era pra ser.
Foi apenas um acaso, mera coincidência daquelas que topamos todos os dias, que virou um caso.
E casou de ser bem naquele dia, que era como todos os dias, virar o primeiro.


Conhece aquele ditado: 'O que tiver de ser, será?'



Mas primeiramente, vamos aos detalhes
A primeira troca de olhares, daquelas que evitamos todos os dias, virou diálogo.
E foi naquela conversa, conversa de dia-a-dia mesmo, que se conheceram.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Inconclusivo

A página em branco me encara.
Não é a primeira vez, nem nessa semana, mas a sensação é de que ainda não aprendi a lidar com isso.

A posição dos dedos segurando o lápis, o cheiro do papel novo, o comercial na televisão do vizinho e o ruído de motores e barulhos de buzinas, e vozes e passos, não chegam nem perto de despertar qualquer tipo de inspiração. Nenhum lampejo de criatividade, nem sequer uma fagulha de otimismo.

E a página continua em branco.

Uma pausa para um café. Um minuto para olhar para o céu e para as árvores. Acendo um cigarro e observo a luz contornar a fumaça ao redor dos dedos, na vã esperança que eles possam chegar à uma conclusão sem a necessidade de pensar em fazê-los escrever.


A conclusão é matemática e lógica: Trago. Inspiro. Expiro.

E eis que eles vêm: Como vaga-lumes cintilando aos primeiros sinais do anoitecer, pequenas centelhas começam a disputar espaço no palco da minha visão, e vão dançando em ritmos diferentes, como uma valsa de embriagados, cada qual com seu passo ora lento, ora acelerado. Um diálogo sem palavras, mas de uma eloquência expressiva que é sentida além do olhar.

A cortina do crepúsculo cobre o horizonte e os vagalumes se dispersam, dão lugar a barulhos e vozes que se intensificam ao cair da noite. A clareza daquele momento já é ofuscada por uma ausência de mim mesmo em meio ao mundo ao meu redor. Que lugar é esse aonde eu somente sei aonde estou quando não estou em lugar algum? Quando tudo me parece claro quando não tenho a mínima certeza do que pode acontecer?

Quando a história já está escrita sem sequer eu precisar escrever?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Votos

Eu sei que assim como eu, muitos de vocês quase desistiram (ou ainda estão tentando) encontrar o grande amor de suas vidas.

Eu também sei que alguma vez na vida, ou na infância, na adolescência, ou até mesmo depois de acharem que conseguiriam lidar com isso numa boa, vocês já tiveram um coração partido.

E que em algum momento já deixaram de acreditar que seria possível colocar as necessidades, vontades e sonhos de alguém junto aos próprios desejos.

Sim, eu sei. Também aconteceu comigo.

Esse mesmo turbilhão de dúvidas à respeito de tudo.
Esse mesmo aperto no coração e o nó na garganta ao falar dele (ou dela).

Cada sorriso e cada lágrima. Cada dia juntos, e cada noite só.
Os momentos que parecem durar uma eternidade, e os segundos contados no horário do almoço, só pra retornar aquela ligação perdida no meio da reunião.

Os jantares em família, as noites à sós, as festas com os amigos e as viagens à trabalho.

Do bom-dia sem escovar os dentes ao boa-noite não visualizado no whatsapp.

Mas posso te contar um segredo? Vai valer a pena.

Quando você encontrar alguém que não vai desistir de você. 
Que vai todo dia querer te mostrar tudo o que você ainda não é capaz de enxergar.

Que vai dividir sua vida, sem partir seu coração.

E vai colocar sua necessidades, suas vontades e sonhos junto aos própios anseios.
E também compartilhar os medos, as angústias e os receios.

Você vai saber. Porque vai acontecer com você também.

Alguém que vai transformar sua tempestade em calmaria, e desafogar o nó na tua garganta quando você achar que tudo tá perdido.

E que pode até não te entender, mas vai te compreender. E vai rir da maneira que você dança quando tá feliz, vai saber trazer conforto pra sua tristeza. Vai ser os seus pés no chão, mas vai precisar de você também para voltar pra terra.

Que não vai medir esforços pra que estejam bem, para que a chama não se apague, para que cada dia ao seu lado tenha o brilho do primeiro encontro, e a certeza de que o tempo nunca vai medir a intensidade do que se sente.

Até que o amor não os separe.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Vai Passar.

O filme, o comercial, a novela na TV.
O programa, o jornal, o jogo é de quem?
Vai passar a bola, vai passar o tempo
Vai também o acréscimo, o grito e o momento.

A camisa de segunda e o crachá
O relatório, o açúcar e o chá.


'O passado não reconhece seu lugar: está sempre presente.' - Mário Quintana

Depois de uma hora, o ônibus sempre demora.
No bar vai passar como sempre
Passa também o copo de aguardente

Um passo, uma esquina, um quarteirão inteiro
Vai passar mal, se apressa pro banheiro
A toalha, o papel, uma água no rosto
E passa de canal até passar o gosto.

E o que se passa na cabeça
Quando se passa a vida
Passando pelo passado
Que não passou ainda?

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Sentidos

Gosto doce, úmido e quente. E o paladar pede mais.
O tato suplica um último toque. 
O cheiro ainda tá na pele, e os olhos não precisam estar abertos para ver.

A segunda dose, ainda mais forte, dose tripla, pra entorpecer.

À flor da pele, brota a semente no solo mais fértil para cultivar os amores fora de estação, e é tempo de deixar criar raízes. Tempo de deixar crescer.



Tempo de ficar ao sol. Sentir o calor da pele, na pele.

Tempo de regar. Beber e se saciar de seus lábios.

Tempo de cuidar. Saber que é preciso também ouvir para saber o que dizer.

Tempo de colher. Exalar a essência.

Com tempo de sobra pra sentir.