segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Me perdoe o linguajar.

Sabe uma coisa foda? O tempo.

Não porque ele passa, nem porque ele é implacável.
Mas pelo efeito que ele tem sobre as nossas vidas, e sobre o que a gente acha das coisas da vida.
Sobre o papel dele nas nossas escolhas. No jeito que a gente encara essas coisas.


O passado é foda.
Ele é como aquele melhor amigo que sempre te joga um balde de água fria na cara.

Sempre vai tá contigo, e vai te fazer um bem danado quando lembrar de cada coisa que você fez, cada momento que você passou. Mas vai te fazer chorar também, e é engraçado até: Vai ser pelos mesmos motivos.

O futuro é foda também.
Ele é como aquela pessoa maravilhosa que você acabou de conhecer, e já vai fazendo um milhão de planos e promessas, sem nem saber o que vai ser. No que vai dar.
Mas ele te anima tanto, te dá tantas razões pra acreditar que de repente a parte mais foda de toda essa história nem parece que existe. Parece passageira, sem importância.


O presente é foda.
Não dá pra fazer nada. Não dá pra pensar em nada.
Simplesmente você nem percebe que ele tá aí, e já era.
Lembra todas aquelas vezes que você hesitou e ficou quieto?
Então.
Lembra a grana que você guardou praquela viagem que nunca fez?
Então.


Tem coisa que você nem lembra que pensou, isso porque, quando você deveria ter feito, tava ocupado demais lamentado o que não fez, ou o que fez de errado.
Tem mais coisas ainda que você nem sabe porque fez. Talvez porque tava preocupado planejando uma porrada de coisas que hoje não tem importância nenhuma.

É meu irmão.

É foda.

sábado, 16 de novembro de 2013

A culpa é mesmo das estrelas?

'E então ela se foi. Uma janela fechada, lábios cerrados e coração aberto. Nunca se sentira tão só, e até os pensamentos evitaram um murmúrio para não interromper o efeito anestesiante que vem depois da dor: A culpa.'

Começa como acordar depois de um sonho bom. Daqueles que a gente não sabe se realmente está sonhando, ou se por algum intermédio divino, foi agraciado com uma oportunidade de reviver um momento.

Qualquer tipo de razão sem emocionalidade é tão inútil quanto um motor sem combustível, e as respostas que a gente procura pra todas essas questões na maioria das vezes não precisam existir. Elas devem ser criadas, cada uma em seu contexto, uma de cada vez, assim como um episódio dá continuidade ao romance. Antecipar o desfecho é um artifício para burlar o enredo, e deixar de lado a parte mais importante da história: O 'Porque'?

Sempre penso que no final das contas, nós aprendemos uma lição. Mas entre os algoritmos, entre os epísódios e cenas, e falas e expressões, existe um aprendizado que não somente fundamenta as bases da obra, mas dá corpo. Contextualiza e realiza.

Que a introdução te empolgue e te leve a questionar.
Que o enredo te envolva, e te faça conhecer a essência da mensagem.
No final, o desfecho vai ser exatamente o que você esperava. Não deixe que o fato de saber como vai ser, te impeça de tentar.

Todos sabemos que caminhamos para o mesmo destino, mas são as estradas que percorremos, as paradas que fazemos e os passageiros que dividimos a viagem que fazem dela algo absolutamente único.
Não se culpe por não ter feito tudo o que queria, mas sim por não ter feito tudo o que você precisava.

sábado, 26 de outubro de 2013

Deixe o recado após o sinal:

Quantas vezes não bateu aquela vontade de te ligar e simplesmente dizer tudo?
Perdi as contas.
Quantas mensagens lidas somente por mim, escritas somente para você.
Até me atrevo a começar uma conversa: 'Bom dia, tá bem?'
'Lógico que eu tô, adoro acordar com suas palavras.'

Então me deixa, falando sozinho assim eu evito a dor.
Evito ter a certeza de que nunca vai ser, e me permito o prazer da dúvida do que talvez seria.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Estudo sobre escolhas.



A verdade que cada mente cria e abraça é uma mescla distorcida da razão imposta, com a emoção repreendida. E acredite: abraçamos com mais vontade essa realidade fictícia que nosso alter-ego considera 'socialmente-aceitável' do que a liberdade de escolha do próximo.

Se o julgamento é uma forma incoesa de criar uma definição sob a turva ótica da realidade conformista, a aceitação, principalmente aquela por empatia, é a melhor forma de estabelecer estereótipos de consciência, comportamento e decisão.
O conceito de certo e errado é uma abstração do conceito de escolha, do princípio de livre arbítrio, e assim sendo, da continuidade de uma série de episódios desencadeados pelas conseqüências, essas que só existem mediante um ato. Dissertar sobre a orientação de uma linha de pensamento é como prever aonde as ondas do mar irão se formar, ou tentar adivinhar a quantidade de pingos de chuva que vão desabar durante um temporal. Existe uma referência, mas não existem absolutismos.

A questão existencial que envolve essa discussão é mais profunda do que a reflexão contextualizada em si: Temos parâmetros da perfeição? Até qual ponto existe uma definição para o que realmente é frutífero, e o meramente supérfluo? São questões que intrigam as concepções mais ortodoxas, e ao mesmo tempo contribuem para um auto-questionamento crítico sob as mesmas.


‘Eu olho ao meu redor e vejo apenas espaços vazios.
Vozes com sede de alma. Corpos famintos de essência.
Os olhares que me rodeiam caçam julgamentos com a voracidade de um felino, 
e a letalidade de uma arma. Imploram por aprovação, mas de quem?’
Definir variáveis para analisar um conceito comportamental é equacionar uma fórmula de racionalidade incompreensível. Enumere as variáveis de ambiente, experiências de vida, posição social, intelectual, percepção e será fácil perceber que todas são dependentes de uma variável incalculável: a emoção. Todas as questões que envolvem a percepção das conseqüências de uma escolha envolvem não somente a capacidade intuitiva da preparação e aceitação, como também a pré-disposição emocional e psicológica do indivíduo, no determinado momento em que a escolha se apresenta. 
Seríamos condicionados por eventos pré-determinados a deduzir e aprovar inconscientemente uma condição, ou simplesmente nada está dentro do nosso controle, sendo tudo absolutamente mera continuidade de uma série de eventos previstos em uma cadeia de reações quantificadas pelo caos?

Uma conclusão é precipitar a interpretação de um evento com base em seus precursores. Outra é interpretar com base nos eventos que seguem um padrão após seu início. Mas se as variáveis se multiplicam exponencialmente dentro de ambos os contextos, a única relação existente entre ambos é que a quantidade de possibilidades e experiências diferentes são maiores do que as convergências de situações e escolhas.

Um raio não atinge o mesmo local duas vezes, mas um pára-raios pode alterar seu curso e mudar toda uma trajetória de eventos. Efeito Borboleta? Teoria do Caos?

Chamo isso de existência incondicional.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Soneto III

Ainda que não pudesse admirar tua beleza
Na escuridão que abriga o medo da solidão
Te ver seria somente a certeza
De tudo que imagino transformado em perfeição


Se sentir teu perfume impossível fosse
Improvável, intangível, sem nem um porque
Buscaria nas cores de todas as flores
A soma do aroma do melhor buquê


Se até tua voz me fosse negada
Por ler tuas palavras teria relento
E tocar teus lábios fosse um sonho distante


Sobreviveria sorrindo a qualquer instante
Mas impossível seria tal sofrimento
De nunca dizer que és minha amada.

domingo, 29 de setembro de 2013

Página 67.

Só existe uma coisa da qual temos absoluto controle.
Nos norteia todo o tempo. Passa despercebido.
E temos o hábito de tratar levianamente.

É algo tão somente simples, quanto complicado.
Prazeroso, porém dói.
E não existe pré-requisito. Nem limite de pretensão.

Todos temos, em unanimidade, mas nem todos fazemos, em maioria.
Alguns podem dizer que é certo.
Outros duvidarem.

Mas a única maneira é fazer.
O não fazer também é feito.

Escolha, pois foi o tempo que dedicaste à tua rosa, que a fez tão importante para ti.

sábado, 28 de setembro de 2013

'Acorda'

Tudo o que precisas é tirar as cortinas quando a brisa bate à tua porta.

Abre o olhar para fora, e deixa o lá fora entrar.
Respira, a cor da manhã, teu momento
Deixa a tarde estender seu tapete carmesim para a noite desfilar,
e dança com ela a valsa do firmamento.

Um suspiro em forma de vento,
basta o silêncio pra entender o que ele te diz.
Soprando ao pé do ouvido, gentil e calmo, brando e sereno:
'Vem, não tem medo. Eu te levo pra ver o mar, te faço dormir'
E deita em tua onda, deixa ela te carregar pras águas profundas.
Mergulha, afunda em teus pensamentos
Deixa que te transbordem, te transpassem, te transtornem.
Sente que o fim é também o começo,
Permite que isso tudo te transforme.

Uma gaivota passa, ligeira, salpicando tua pele com areia
Enquanto o rei dorme no berço que acabas de deixar.
A despedida é bela, e também lisongeira:
A cor do crepúsculo diz: é hora de deitar.

domingo, 15 de setembro de 2013

Soneto II

Enfatizo a ausência pelo presente momento
Em que me encontro só, perdido há tempo
Uma cura é tão somente vã
Quanto a esperança de acordar amanhã

De todos detalhes, entalhes em mim
Cravados a ferro, fogo e amor
Nenhum é tão claro, e por si só já diz
'Fui tatuado, não guardo rancor'

Esperei até o que não iria chegar
E cheguei longe demais de ti 
Senti sem ver, ouvi o som do silêncio

Percebi então o impasse aqui:
'A culpa é o medo do consenso
De não temer o que não amar.'

domingo, 8 de setembro de 2013

Soneto I

Pensei demais em cantar, pra contar menos
E se a soma fosse dois, eu cantaria 'nós'
Mas te subtraí, e dividido por mim mesmo
Só multiplico o suplico, em tom de dó. 

Estive escrevendo pra espantar a tristeza,
que tem me acompanhado tanto por essas linhas.
De escrever a solidão no papel, a certeza
é ter de encará-la me dizendo 'tu sabias'.

Confesso, caminhei em mentira há um tempo,
a passo curto, apressado pelo fim.
Apreensivo demais pra ver, bem verdade.

Mas mal-me-quer é deveras assim:
Não há pétala arrancada em vaidade,
Perfeitas são em ti, e não ao vento.

Colhes o que cativas

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cultivas.

Cativa tua semente, porque aquele que mente planta grãos em areia e rega com inveja. E em solo fraco raízes não se firmam.
Se tu cultivas teu ego mais do que teu caráter, terás um carvalho frondoso, alto e belo.
Terá muitos a tua sombra, mas não dará frutos, e ao inverno, perecerá.

Aprende que o mal é tão necessário quanto o bem.
Os mesmos pássaros que te levam os frutos, são aqueles que semeiam tuas idéias.
E o inverno que castiga tua beleza, é o mesmo que permite seu desabrochar.

Tua existência não passará em branco se colorires ela com tuas flores, mas deixe que as colham: A beleza é sempre tão passageira quanto a dor.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O pior cego

Talvez seja o que finge não ver. Ou o que vê e interpreta com outros olhos.
Pode ser também aquele que ao ver, julga. Critica. Condena.
Que enxerga por trás de lentes, não de óculos, mas de ignorância.

Aquele também que nega a visão.
Que se abstém, e se cega.

Não aquele que por não ver não sabe, mas sim aquele que sabe exatamente o que viu;
porque sentir sem ver é tão abstrato quanto amar.

Ou também o que não sabe ler braile.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Não tão complicado demais.

Não era improvável que fosse acontecer.
Mas não me peça as circunstâncias perfeitas, elas não existem.
Também não era de se imaginar como seria.
Quem não perde alguns minutos (ou horas) do dia, sentado no sofá, e fica olhando pro nada e vendo tudo?

Coincidência? Descartada.
Surpresa? Muita.

Mas nem tão simples assim.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Ketut

'Se desequilibrar por amor, faz parte de uma vida em equilíbrio'

Não chores pelas pétalas que caem, nem pela cor que esmorece, e tampouco pelo dia que finda.
O desabrochar precisa de paciência, as cores precisam de calma, e o dia precisa nascer.
A renovação começa a partir do que já foi.


O auto-conhecimento é como olhar seu reflexo na superfície de um lago.
Em águas turvas, tudo se distorce.
Busque pelas águas calmas, e com clareza irá entender.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Passaporte

A mesma vontade que eu tenho de sair, é a que me faz ficar.

O brilho da Park Avenue, é o que eu vejo em teus olhos.
A tranquilidade de uma ilha nas Malvinas, eu tenho ao teu lado.
O luxo de uma suíte em Dubai, dividimos em uma cama de solteiro.
Uma caminhada pela da Muralha da China, ainda é curta para te dizer tudo.
Uma vista para a Torre Eiffel, é te admirar.
Escalar o Everest, correr meus dedos por teu corpo.
E nos Jardins da Babilônia sentir só teu perfume.
Decifrar a Esfinge. Desvendar teus pensamentos.

E assim saber se eles também querem ficar.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Do Outro Lado da Rua

Parte do vestido lilás preso para fora da porta do carro já dizia tudo.
Sentada no piloto, o cigarro entre os dedos, mais próximos às extremidades, também entregava sua situação.
Mesmo com um rapaz no carona a fitar, os lábios tingidos de um provocante batom vermelho-sangue denunciavam claramente as intenções da pre suposta vítima.
Foi uma rápida troca de olhares em uma noite de verão, em uma rua dos subúrbios, até o verde do farol indicar sua despedida.

Do outro lado da rua.

Nem ereto, nem curvado. Sentado.
O boné que encobria parte do rosto, junto com a sombra das árvores sob a luz dos postes, aparentava nada menos que um mero garoto esperando uma carona para casa.
E a camiseta larga, bermuda, o tênis e a mochila jogada aos pés do banco confirmavam a hipótese.

Mas ele percebeu algo.
Os olhos dela também.

E não era o vestido preso.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Dois Caminhos

Eu cresci ouvindo de meus pais que existiam dois caminhos a serem seguidos: O Bom, e o Ruim.
E cresci almejando o pote de moedas de ouro no fim do arco-íris, e isso segundo tal filosofia, incumbia em seguir o caminho Bom.

E foi tentando trilhar tal caminho que muitas vezes percebi que, acidentalmente ou não, eu cruzava com o famigerado 'caminho Ruim'.
Digo pelas experiências que tive em ambos, e por seus resultados em minha vida.

Absolutamente não me amarguro de ter pego 'atalhos', e nem tampouco de ter dado alguns passos em falso.

Mas o imperativo me fez perceber que os caminhos não se dividem. Nem se cruzam.

Eles são um só.

A única diferença é que um segue em frente, enquanto o outro, é todo o que você já caminhou.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

'Frames'

Uma alegria.
Havia tempo, e estava sol.
Havia sorrisos, e eles se encontravam.
Havia brilho, e havia sentido,
Nela via tudo.

Uma decepção.
Tentou se encontrar, mas estava perdido.
Tentou falar, mas calado já se encontrava errado.













Tentou mudar, mas fez o mesmo.
Tentou tentar, e continuou tentando.

Uma tristeza.
Sentiu dor, buscou o prazer nela.
Sentiu medo, e a frieza o manteve intacto.
Sentiu saudade, mas é tarde.
Sentiu um sentimento.
Sinto muito.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Do pó viemos.

Assim como as estrelas nascem, sob a existência de um força invisível aos olhos.

As reações que transformam a simples existência de uma partícula em algo fora de escalas compreensíveis.
Sua existência se manifesta em brilho, calor, e energia.
Sem propósito além de se auto-consumir, e brilhar o mais intensamente possível.


Ao fim, tudo se transforma, em milhões de reações que levam sempre o mais pesado pro interior.
A energia se esvai. O calor abranda.
O que antes era belo e majestoso, torna-se frio, e complexo.
A mesma força que permitiu essa existência, agora promove sua auto-destruição.



E quando por fora tudo fica tão escuro e denso como o interior, colapso.

A total ausência da menor partícula que permitiu tal evento, agora transforma seus produtos em algo novo.
E os espalha, os transforma, em uma explosão dramática, dolorosa e linda, levando sua essência adiante.
Transformando novos espaços. Criando novos propósitos.


Tudo com a intenção de começar tudo novamente, para que assim, ao pó voltemos.

Mas porque não brilhar?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Novos Índios

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, mas não.
Não me entenda

Eu nunca pude trazer você de volta pra mim, porque eu descobri que é sempre só você que me destrói do início ao fim. E não existe cura para esse meu vício de insistir. E a vontade que eu sinto, essa sim, é a de ver tudo o que eu ainda não vi.

Vou te devolver o espelho, junto com a doença que trouxe ao meu mundo. E da próxima vez que tentar chorar, vou saber que não consigo porque não tenho motivos.