Acordado no susto, e correndo o dedo pra desligar o despertador. Banho rápido, café de máquina e metrô lotado.
Escada rolante: pista expressa do horário comercial.
O cartão, pra evitar a fila. O fone, pra evitar o diálogo. A pressa, pra não perder tempo.
O 'bomdia' monossílábico, pergunta automática, resposta mecânica, caixa eletrônico e débito on-line.
Mais rápido. Já tá quase na hora do almoço: Fast-food. coffe break, cigarette pause.
Mais depressa, o relatório está atrasado. A impressora à laser pifou. O wi-fi caiu.
Corre pra bater o ponto e marcar a hora extra. O tempo da capital rasga o céu, e a Sapucaí é quilométrica até a próxima quadra.
O farol é o zombador dos apressados, e o relógio é o golpe de misericórdia: 38 graus de atraso escorrendo pela testa, gotas apressadas até a gola da camisa entreaberta - não deu tempo de fechar na correria.
E os momentos viajam a anos-luz pela mente, rápidos demais para serem lembrados, e cotidianos demais para serem esquecidos.
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| *BEEP* |
Perdemos nossas manhãs brigando com o botão soneca.
Abrimos mão de relacionamentos, para termos mais tempo para alimentar nossos egos.
Cumprimos horários ao invés de comandarmos o relógio e decidir quando. E perdemos a noção do porque fazemos.
Pensamos e agimos de maneira tão instantânea, que agonizamos a demora para o miojo ficar pronto. Para o download acabar. Para que as coisas aconteçam sem que tenhamos que testemunhá-las.
Não é do fim que temos medo. É do que vai acontecer antes.

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