A verdade que cada mente cria e abraça é uma mescla distorcida da razão imposta, com a emoção repreendida. E acredite: abraçamos com mais vontade essa realidade fictícia que nosso alter-ego considera 'socialmente-aceitável' do que a liberdade de escolha do próximo.
Se o julgamento é uma forma incoesa de criar uma definição sob a turva ótica da realidade conformista, a aceitação, principalmente aquela por empatia, é a melhor forma de estabelecer estereótipos de consciência, comportamento e decisão.
O conceito de certo e errado é uma abstração do conceito de escolha, do princípio de livre arbítrio, e assim sendo, da continuidade de uma série de episódios desencadeados pelas conseqüências, essas que só existem mediante um ato. Dissertar sobre a orientação de uma linha de pensamento é como prever aonde as ondas do mar irão se formar, ou tentar adivinhar a quantidade de pingos de chuva que vão desabar durante um temporal. Existe uma referência, mas não existem absolutismos.
A questão existencial que envolve essa discussão é mais profunda do que a reflexão contextualizada em si: Temos parâmetros da perfeição? Até qual ponto existe uma definição para o que realmente é frutífero, e o meramente supérfluo? São questões que intrigam as concepções mais ortodoxas, e ao mesmo tempo contribuem para um auto-questionamento crítico sob as mesmas.
Definir variáveis para analisar um conceito comportamental é equacionar uma fórmula de racionalidade incompreensível. Enumere as variáveis de ambiente, experiências de vida, posição social, intelectual, percepção e será fácil perceber que todas são dependentes de uma variável incalculável: a emoção. Todas as questões que envolvem a percepção das conseqüências de uma escolha envolvem não somente a capacidade intuitiva da preparação e aceitação, como também a pré-disposição emocional e psicológica do indivíduo, no determinado momento em que a escolha se apresenta.
Seríamos condicionados por eventos pré-determinados a deduzir e aprovar inconscientemente uma condição, ou simplesmente nada está dentro do nosso controle, sendo tudo absolutamente mera continuidade de uma série de eventos previstos em uma cadeia de reações quantificadas pelo caos?
Uma conclusão é precipitar a interpretação de um evento com base em seus precursores. Outra é interpretar com base nos eventos que seguem um padrão após seu início. Mas se as variáveis se multiplicam exponencialmente dentro de ambos os contextos, a única relação existente entre ambos é que a quantidade de possibilidades e experiências diferentes são maiores do que as convergências de situações e escolhas.
Um raio não atinge o mesmo local duas vezes, mas um pára-raios pode alterar seu curso e mudar toda uma trajetória de eventos. Efeito Borboleta? Teoria do Caos?
Chamo isso de existência incondicional.

Nenhum comentário:
Postar um comentário