domingo, 30 de agosto de 2015

Atordoado

Pisquei e as luzes já não são mais a saída do túnel,
parece que a viagem fica cada vez mais longa.
E essa música no volume máximo também não faz sentido:
o vento é mais alto do que todos os meus pensamentos juntos.

E eles gritam.

A paisagem em movimento, os olhos marejados.
A sensação é a de não saber para onde ir,
e a vontade é a de estar em qualquer outro lugar.

Exceto aqui dentro.

Tiro os olhos da estrada para pegar o celular.
Sem cinto de segurança, fora dos limites de velocidade
Duas garrafas vazias e a cabeça cheia de perguntas.

Não, as regras não existem mais.


Achei o contato, a curva era perigosa
Disquei e desviei, esperei e acelerei
As luzes se apagaram, a música cessou.

Dor.

É assim que eu estou: No limite. Atordoado.
Só não sei se são as buzinas do trânsito ou o tom de ocupado.

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