segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Passageira

Diga-lhe que já não sei o que fazer.
Não é um apelo, não me entenda mal.
É uma metáfora, um gesto descrito,
um pedaço de mim que não sabe se grita
ou então se cala.

É uma chuva passageira 
de um verão que ainda não acabou
Parte dela em mim
que ainda não se apagou.

Peça-lhe apenas um pouco de paciência.
Faça-a entender que é preciso a ausência
para existir a saudade.

E que essa saudade é tudo o que me resta do que não ficou.

Diga-lhe que eu entendo, e que eu sabia.
E nem por isso a esqueci, mas
espero uma resposta ou qualquer apatia
que não seja mais do que um 'bom-dia'
ou então me calo.

É uma dor passageira, 
E eu o motorista a todo vapor.
Dor essa que levo em mim
de um remorso que se chama amor.

2 comentários:

  1. Empolgante lê-lo, melhor ainda vivê-lo.Demasiadamente simples lê-lo, desesperadamente incrível vivê-lo.

    ResponderExcluir