'O vento tocou suavemente seu rosto, e ele acordou com a brisa quente daquela manhã de verão.As cortinas dançavam suavemente, e através da janela entreaberta os primeiros raios do sol invadiam o quarto alcançando lentamente o limiar da cama, e enfim chegando ao seu corpo.O calor.Abriu os olhos e então percebeu uma silhueta se formar e se destacar frente à janela, mesmo com a visão desfocada e desorientada pelo excesso de luz não havia dúvida: Era ela.E isso era muito bom. '
Certa vez, em um dia não muito longe dos atuais, mas em uma realidade um pouco mais distante, vi uma estrela cadente.
Ou acho que vi.
Mas se existe algo que podemos ter certeza, é do que sentimos. Apesar de não saber exatamente o que, ou como, sentimos. E tentar descrever um sentimento é tão abstrato quando descrever uma cor para alguém que nunca teve visão.
Não lembro exatamente que dia da semana era. Ou qual estação. Se o ar estava quente, ou úmido. Nem que roupa eu usava naquela noite.
Mas lembro que era noite.
Tão óbvio quanto associar um evento a uma situação, é associar uma emoção a um sentimento.
Tristeza é emoção, sentimento ou estado de espírito? E alegria?
Sei que era noite, e não era um bom dia.
Sei que estava triste, mas senti alegria.
Sei que estava em paz.
Perguntaria-me, se estivesse do outro lado da narrativa: ‘Como você viu? De onde veio? Você fez um pedido?’ e todas essas respostas passariam obsoletas frente ao real significado do momento. Seriam detalhes impertinentes ao seu significado, e sem valor nenhum pra qualquer tipo de interpretação lógica ou racional.
Mas e você, o que me perguntaria?
‘-Você acredita em desejos? - Ela perguntou quase em silêncio.Ainda deitado, os olhos já haviam se acostumado a claridade repentina, e se encontraram por um instante, os segundos deixando de ter importância para o ciclo do tempo, e durante uma fração de existência, suficiente para que uma ligação sináptica acontecesse, ele soube:-Desejo acreditar em você.’
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